A promessa de Deus é uma afirmação feita pelo Senhor a respeito de fatos que, para o ser humano, são futuros, mas que são vistos como já concretizados por Deus, para quem o tempo simplesmente inexiste. Assim, quando tomamos conhecimento de uma promessa de Deus, podemos imediatamente entender que a promessa é de cumprimento inevitável, pois, para o Eterno, não há “promessa” propriamente, mas um verdadeiro acontecimento. O que, para nós, é uma promessa, para Deus já é um “fato”, um “acontecimento”.
- Ora, se, para Deus, que é a verdade (Jr.10:10), a promessa já é um fato, já é algo que está concretizado, não há motivo algum para que o crente deixe de crer na promessa divina, visto que ela já aconteceu aos olhos de Deus, Deus este que não pode mentir (Hb.6:18), que é a própria verdade. Cheguemos à conclusão de que a promessa de Deus é de cumprimento inevitável e que, assim, podemos crer nela
- Deus não muda (Ml.3:6), é fiel, não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13), de tal modo que o que o Senhor tem falado, não pode ser alterado. Como Ele é soberano e Sua operação ninguém pode impedir (Is.43:13), temos que o que Deus falou, vai acontecer, por causa da Sua imutabilidade (Nm.23:19).
São as promessas benefícios aos homens? Sem dúvida que são, mas as promessas revelam, antes de mais nada, a natureza de seu autor, mas, não deve o crente se apresentar com uma tola ordem de “receba”, mas, sim, em alto e bom som, exclamar: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador(…) porque me fez grandes coisas o Poderoso e santo é o Seu nome.” (Lc.1:46,47,49).
- Mas, além de demonstrar o seu caráter, as promessas de Deus também denotam a soberania divina. Deus promete porque quer, não porque precise prometer. Toda promessa divina é um ato da vontade de Deus, e, por isso, as promessas se apresentam como compromissos que vinculam a Deus mas de acordo com a Sua vontade. Por este motivo, a promessa de Deus se cumpre única e exclusivamente de acordo com a vontade de Deus e para cumprir os propósitos, os desejos delineados pelo Senhor.
Não foi à toa que, ao nos ensinar a orar, o Senhor Jesus fez questão de ressaltar que sempre devemos pedir que a vontade de Deus se faça assim na terra como no céu (Mt.6:10). A consciência de que a vontade de Deus deve imperar é algo que todo crente deve ter, principalmente quando se trata de verificar o cumprimento das promessas de Deus. Devemos sempre, quando falarmos em promessas de Deus, lembrar que as promessas de Deus são atos da vontade do Senhor e que, por isso, se cumprem de acordo com esta vontade, para que se atinjam os propósitos delineados por Deus quando se fez a promessa.
- Por isso, torna-se ainda mais importante conhecermos a Palavra de Deus para que saibamos como alcançar as promessas de Deus, porque é tão somente a Bíblia quem nos pode trazer quais os propósitos divinos em cada promessa. Os pensamentos de Deus são inalcançáveis pela razão humana (Is.55:9) e, se não for por revelação, jamais poderíamos saber quais os desígnios do Senhor (Am.3:7; Jo.15:15). Daí porque não podermos querer desfrutar das promessas de Deus se, antes, não consultarmos e meditarmos profundamente na Sua Palavra, onde são revelados os mistérios divinos.
II – OS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA ALCANÇARMOS AS PROMESSAS DE DEUS
- Como vimos, antes de mais nada, antes de buscarmos as promessas de Deus, devemos delas ter conhecimento, o que se consegue somente mediante a meditação nas Escrituras Sagradas. Não há meio de buscarmos qualquer promessa de Deus se, antes, não entendermos, na Bíblia Sagrada, qual é o significado desta promessa, porque e para que Deus a fez. Isto vemos claramente no episódio do apóstolo Paulo com aqueles crentes de Éfeso que, por nem saberem que existia Espírito Santo, não podiam, por isto mesmo, buscar o batismo no Espírito Santo (At.19:1-6). Muitos têm se mantido afastados das promessas de Deus, na atualidade, porque ignoram a Palavra de Deus, porque não ouvem o que está no texto sagrado: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm.10:14).
Requisitos para que alcancemos as promessas de Deus:
- O resultado direto de termos tido contato com a Palavra do Senhor. É a fé, fé esta que vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17). O primeiro elemento indispensável para que alguém alcance uma promessa de Deus é a fé. O apóstolo Paulo não titubeia em afirmar que “consiste na fé” (I Tm.1:4). Sem que se ouça a Palavra de Deus, não há fé e, sem fé, não se pode, e absoluto, edificar-se espiritualmente. Sem fé, não é possível agradar a Deus, pois é necessário crer que Deus existe e que é galardoador dos que O buscam (Hb.11:6).
- A fé, sendo o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem (Hb.11:1).
- O amor. Quando cremos em Jesus como único Senhor e Salvador de nossas vidas, o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm.5:5). Ora, este amor, como temos repetidamente dito nestes comentários, não é uma emoção, um sentimento, mas, sobretudo, um comportamento. Porque amamos a Deus, guardamos a Sua Palavra (Jo.14:21,23,24; I Jo.2:5). Só é amigo de Deus quem faz o que Ele manda (Jo.15:14).
- O amor a Deus nos faz humildes de espírito (Mt.5:3 ARA), isto é, dependentes do Senhor, obedientes à Sua Palavra. Não nos sentimos auto-suficientes (Ap.3:17), mas, sim, pobres e necessitados (Sl.40:17), de modo que não procuramos fazer a nossa vontade, mas a vontade de Deus. Quando assim agimos, renunciamos a nós mesmos e passamos a seguir a Jesus (Mt.16:24). Não mais vivemos, mas Cristo vive em nós (Gl.2:20), não sendo, pois, nenhuma novidade que aquilo que pedimos seja exatamente aquilo que Jesus queira nos dar (Jo.15:7).
Deus faz as Suas promessas por amor, tomou a iniciativa de ir ao encontro do homem por causa do Seu grande amor e nós, que O amamos porque Ele nos amou primeiro (I Jo.4:19), fazemos aquilo que Ele quer, pedimos aquilo que Ele deseja, buscamos aquilo que Ele nos quer dar. O alcance das promessas é, assim, algo muito mais sublime do que a afirmação de um capricho: é a constatação de que vivemos com Cristo uma unidade, de que fomos feitos participantes da natureza divina. O cumprimento da promessa de Deus nada mais é que a demonstração de que, por sermos um com Deus (Jo.17:21), o poder de Deus tudo nos dá(I Pe.1:3), não porque sejamos “supercrentes”, “poderosos”, mas, sim, alguém que é mera expressão de Cristo nesta Terra, um espelho que reflete a glória do Senhor (II Co.3:18).
- A paciência (Hb.6:12). A paciência ou longanimidade é uma das características divinas que são transmitidas a nós pelo Espírito Santo. Saber suportar as dificuldades presentes, as circunstâncias contrárias porque há uma promessa da parte de Deus de que tudo será modificado, de que os males se tornarão bens, que os prejuízos se converterão em benefícios, é um estágio de crescimento espiritual (Rm.5:3,4), mas uma grande lição que nos tornará mais maduros, com melhores condições de servir ao Senhor. A paciência nos faz aguardar o cumprimento das promessas de Deus sem que sejamos abalados na nossa fé. Pelo contrário, a demora, em vez de nos desanimar, aumenta a nossa intimidade com o Senhor, permite-nos um estreitamento de relacionamento com Ele.
Não podemos ser ansiosos (I Pe.5:7), mas, antes, ter paciência e, com base nesta paciência, aguardarmos o cumprimento das promessas do Senhor (Sl.40:1).
- A esperança. A Bíblia nos fala de que a esperança é uma virtude que resulta de um crescimento espiritual que, iniciado pela fé, passa pelas tribulações, pela paciência e pela experiência (Rm.5:3,4), tornando-se a âncora da alma segura e firme (Hb.6:19). A esperança é o fator que nos faz aguardar o cumprimento da promessa, que não nos permite desanimar, que nos mantém firmes e constantes, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor (I Co.15:58). Chegaremos até o fim se tivermos completa certeza da esperança (Hb.6:11). Quem tem esperança, aguarda, com serenidade, sem ansiedade, o cumprimento das promessas de Deus.
A esperança permite-nos, ainda, ter uma vida de santidade e de pureza na presença do Senhor. Vemos aqui um efeito altamente benéfico para quem crê e espera o cumprimento das promessas de Deus. A crença e a esperança nas promessas de Deus levam-nos a uma vida de santificação (II Co.7:1; II Pe.1:4; I Jo.3:3). Muitos crentes não vivem uma vida de santidade, não se santificam e põem em risco a sua salvação simplesmente porque não crêem nem esperam desfrutar das promessas de Deus. Crer, esperar e buscar incessantemente as promessas de Deus é um meio pelo qual o crente atende à recomendação do Senhor para se santificar sempre até o arrebatamento da Igreja (Ap.22:11).
Quer saber mais: http://ensinodominical.com/2007/12/24/como-alcancar-as-promessas-de-deus-1/
Deus abençoe a todos e que as promessas de Deus se cumpra em sua vida!

